The Good, The Indie and The Bad

Indie se tornou um estilo próprio. O que antes servia para indicar apenas quem fazia música independente, sem apoio de uma grande gravadora, agora é abraçado pelas mesmas e se tornou sinônimo daquela música batidona de acordes, guitarras, uns poucos riffs e algumas idéias ora geniais, ora idiotas.

Eu sempre tive – e acho que sempre terei – um pé atrás com o “indie”. Às vezes, surgem coisas fantásticas que me fazem pensar como tem gente que consegue fazer lindas músicas com simplicidade. No entanto, tem outras que me fazem ter até nojo do gênero.

Não acho o indie uma coisa ruim. Au contraire, mes amis. Só não consigo abraçar o estilo e dizer “mamãe, sou indie”. Ele sempre me soa mais do mesmo, ainda que tudo se diferencie e tenha suas singularidades. O que no fundo não é uma coisa ruim. Se pensarmos, todos os grandes movimentos musicais sempre soaram assim: o grunge, o punk, o classicismo, o progressivo, o metal… mas ainda assim, sabe quando você vai num restaurante self-service, vê aquelas comidas maravilhosas no balcão, serve um monte no prato e na primeira garfada percebe que tá sem sal? É mais ou menos isso que eu tenho com o indie. O que, ressalto e reafirmo, pode não ser uma coisa ruim. Sal demais causa hipertensão.

Acho que um dos problemas do indie está na concepção. As composições são geralmente boas, mas já soam todas semelhantes. Aí, quando chega a hora de gravar, alguma coisa faz com que em todas as músicas as guitarras soem iguais. Idem com os baixos, bateria, teclados, cordas, etc, e até os vocais! E a compressão usada na mix e na master acaba sendo a mesma também, música após música. O que, no final, resulta num CD que me soa como uma linha sóbria, uma música seguida da mesma música, seguida da mesma música novamente, e não uma onda de emoções que mexe com os sentimentos mais profundos.

O indie produz ótimas canções, mas álbuns insossos. Foram raros os CDs indies que ouvi na íntegra. Até tentei, na esperança de ouvir uma música tão foda quanto aquele “hit do clipe das luzes que piscam”, mas raramente encontrei, no restante do disco, uma segunda ou terceira música que se destacasse.

Calças xadrez, all-star, cabelos desarrumados, camisetas descoladas, guitarras simples, baixos de poucas variações, vocal sem grandes pretensões, músicas semelhantes… o indie não é feio ou ruim. Mas parece que desde que nasceu só cresceu no bolso de alguns. E continua desde então com as mesmas calças xadrez, all-star, cabelos desarrumados…

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s