Inveja

Era mulher, afro-descendente (mas não se importava de lhe chamarem de negra ou preta), míope, de QI mediano, passando da meia idade. Também não era bonita e tinha um nome exótico, para não dizer estapafúrdio. Era lésbica e tinha uma namorada tão estranha quanto ela. Tinha um péssimo gosto para roupas e raramente combinava blusa com calças, meias com sapatos ou casaco com acessórios. Aliás, não passava suas roupas. Era comum vê-la vez em sempre com a marca dos pregadores nas bordas das camisetas. Era pobre e tinha um subemprego, no qual um subgerente fazia seu inferno. Geralmente, ninguém a via com bons olhos. Sequer davam muita chance para suas ideias ou trela para suas conversas.
Era uma vida dura, lascada e cruel. Mas com certeza, seu maior pecado era ser feliz.

Postado originalmente pelo Facebook no dia 2 de maio de 2013. Link para o post original – https://www.facebook.com/rodfaleiros/posts/522411741149186

Life goes on

Illuminatis, governo oculto, EUA, Matrix… sempre há uma teoria da conspiração de que existe um Dr. Wily (ou um grupo muito grande deles) por aí pronto pra dominar o mundo. E aí eu me pergunto: pra quê perder o sono por isso?

Já conheci algumas pessoas que perdiam o sono por isso. Ou perdem. Enfim, nada contra! Se é a crença e um grande motivo da vida da pessoa, ótimo, seja feliz assim! Mas sinceramente… e se nunca acontecer nada? E se eu passasse minha vida inteira buscando impedir esses “Cérebros” de dominarem o planeta e isso nunca acontecesse? A vida aqui existe, e sempre existiu, desde as primeiras bactérias, microorganismos e trilobitas, não?

Bom… pode ser que um dia apareça um Palpatine e domine tudo. Mesmo assim, não existia vida em Tatooine ou nos planetas do Império? Se a pessoa quer ser o Luke, ótimo, vá! Se o destino se encarregar de me transformar no Luke, maravilha! Mas enquanto isso não acontece – e por isso eu digo a dominação mundial pelas forças do mal ou o destino me levando a salvar o universo, ou qualquer outra coisa nesse sentido – não vou perder noites de sono pensando que eu deveria ser mais como o He-Man e menos como o Ferris Bueller. Afinal, esse último não se tornou um mártir pela humanidade, mas sempre me pareceu mais feliz que todos os outros.

Desabafo de um gamer 8-bits

Os que me conhecem, sabem da fase que estou passando. Duas bandas, uma orquestra, uma produção de CD, uma pré-produção, shows durante o mês, aulas, samplers, loops, freelas… enfim, uma torrente gigante de trabalhos que faz meu expediente seguir ininterruptamente das 8h até, muitas vezes, além da meia-noite. Não estou me queixando – muito pelo contrário, eu adoro isso! -, mas realmente ando sem tempo de acompanhar minhas séries, ler meus livros, estudar o quanto queria ou jogar videogame. E exatamente por conta disso, quando me vi hoje com um tempinho livre depois de 3 semanas seguidas de puro workaholicism, não tive dúvidas do que fazer. Liguei o computador. Ao invés de abrir o Ableton, o Pro Tools ou o Sibelius, abri o JNes, meu emulador de NES favorito. Depois, escolhi o jogo: Ninja Gaiden 3. Putz! Foi hora de matar saudades de um dos jogos mais divertidos e difíceis que tive o prazer de jogar – e cheguei a jogá-lo no videogame de verdade na época. Mas o interessante foi o que houve depois.

Enquanto jogava, percebi o real nível de dificuldade do jogo. 3 vidas (iniciais), uma barra de energia pequena, um tempo de 250 segundos por fase (que transcorrem na relação de uns 3 segundos do jogo para cada segundo real), sendo que cada fase tem umas 5, 6 telas, cada uma delas apinhada de inimigos, dos lentos aos rápidos, dos fracos aos fortes, dos que só tem ataques corporais aos que atiram… e tudo isso sendo enfrentado por seu personagem, Ryu Hayabusa, ninja descendente do Clã dos Dragões, mas que no jogo só conta com sua espada de curtíssimo alcance e uns poderes que requerem uma espécie de “mana” de ativação (mana esse que você começa com apenas 40 pontos e que, dependendo do poder, uma ativação pode consumir uns 20 pontos de uma vez!). Em suma, um jogo DIFÍCIL, fazendo jus a todas as letras maiúsculas. Jogando isso, pensei: “Como eu conseguia jogar isso quando tinha 12 anos, no videogame, sem save states que me permitem voltar em qualquer ponto do jogo a qualquer instante, e ainda por cima ZERAR nessas condições?”

Essa é a grande graça e diferença principal dos videogames antigos para os novos. Hoje em dia nada mais é feito para a possibilidade de perder. Eu joguei recentemente (e com muitos anos de atraso já) o Final Fantasy XII, do PS2. O jogo é lindo (e me disseram que o XIII é ainda mais!), mas sinceramente, é impossível perder naquele jogo. Durante toda a minha rota no RPG, que se estendeu por mais de 130 horas de jogo, acho que vi a tela de Game Over só uma vez e sofri mesmo com dois ou três combates. De resto, foi tudo muito fácil. Tão fácil que eu me peguei diversas vezes bocejando de tédio no meio do jogo. Totalmente o contrário de mim hoje jogando meu bom e velho nintendinho. Eu xingava o jogo, perdia vidas e vidas, não acertava o maldito golpe… mas me diverti como há muito não me divertia!

Pôxa, perder faz parte da vida! E ver essa possibilidade batendo bem ali, a cada porta atravessada, a cada adversário enfrentado, gera uma descarga de adrenalina inigualável. Não fosse por isso, o jogo não teria 3/4 da diversão que tem. Fato esse que é justamente o mal que acomete a maioria esmagadora dos jogos atuais. Essa impossibilidade de perder nos jogos atuais é, além de triste, entediante e reflete nada mais, nada menos que a realidade de nossa sociedade superprotetora na qual o filho da família mora no apartamento perfeito, com acesso à internet 24 horas por dia para ele se sentir ligado ao mundo, mas sem poder sair para o mundo real que existe além da porta. De que adianta ter o gráfico perfeito, a trilha perfeita, o ambiente perfeito, a jogabilidade perfeita, se você sabe que, ao ligar o videogame, vai jogar um jogo que você vai invariavelmente ganhar? Que tipo de desafio real um jogo desse tipo pode trazer para sua vida? Pra mim, soa como “Não se preocupe. O mundo lá fora é fácil e te mostra todas as soluções, tal qual aqui. E em todo caso, você sempre pode dar um save antes”. Sinto informar, mas não tem save point aqui fora não. E, se tem, nunca ninguém achou!

Exatamente por isso que eu sou e sempre serei fã dos 8-bits. Quem nunca sofreu nas mãos de Tartarugas Ninja 2, Mega Man 1, Castlevania 3, Metroid, Paperboy, Little Nemo Dream Master e, como citado, Ninja Gaiden 3 (que aproveito para citar que esse é ainda mais fácil que seus antecessores), não sabe o prazer que é ligar um videogame e ter que suar muito para ver o tão querido The End ao invés do tão constante Game Over.

A ressurreição constante dessa espaçonave

Eu sei que sou um tanto inconstante no meu blog. Vira e mexe penso em zerar isso aqui e transformar numa fonte de referências aos meus trabalhos, como um portfólio. Mas por conta de uma feliz ligação que recebi há pouco, entrei aqui depois de longa data para reler um dos meus posts e, felizmente, não parei nesse. Fico feliz de ver quanta coisa legal eu já publiquei aqui e como esse lugar é um reflexo puro de meus pensamentos como eles vêm. Taí, isso aqui não vai morrer não.

Mas agora me deem licença que eu preciso trabalhar. Até mais, pessoal!

Vegetarianismo e idealismos

Hoje meu quieto e abandonado blog tem motivos para abrir a boca. Não sei se são bons motivos, mas se tanta gente já abre a boca assim, com essa incerteza, por que não esse wordpress?

Há pouco mais de uma semana minha banda fez uma viagem para Uberlândia, terra magnífica no maravilhoso estado de Minas Gerais (se me perguntassem hoje “pra onde você mudaria tendo todo o suporte para viver, como emprego, casa, etc?”, eu diria Minas Gerais, com certeza!).

O lance todo é que em toda longa estrada, nós três, o trio que forma a Jennifer Magnética, conversamos bastante. E, como ultimamente tem sido esse um assunto inevitável, conversamos sobre alimentação, uma vez que nosso baterista Diogo é vegetariano. Ou melhor, desde uma semana antes dessa viagem, ele é Vegan. Quase uma cópia perfeita do He-Man. Isso quer dizer que ele não se alimenta de nada que teve ou que veio de algo que teve mãe.

Posteriormente (e bote pelo menos 1 semana de posteriormente nisso), em meus devaneios de banheiro, comecei a pensar: “porra, mas não faz mal tirar leite da vaca. Nem mata uma galinha botar um ovo. Isso não faz mal pro bicho, então por que negar-se a tal?”. Pensei na hora também na questão de saúde, que se ele acredita que se isso é melhor pra dele, perfeito! Mas como todo leonino curioso e ávido por um debate, não pude deixar de questioná-lo a respeito. Quando perguntei “por que não tomar leite? Isso não faz mal pra vaca!”, ele me respondeu: “É? Você que pensa. Aquelas fazendas de leite industrial, que ficam 24 horas por dia tirando leite do bicho… em 4 anos o bicho não presta pra nada e sai dali direto pro matadouro.” E isso me fez pensar. Realmente, é uma puta duma sacanagem! Aí me lembrei na hora das viagens estrada afora com meus pais, plena noite, e de ao longe avistarmos uma granja em pleno funcionamento. As palavras de meu pai ecoaram no mesmo instante em minha lembrança: “a maior sacanagem do homem, fazendo as galinhas pensarem que é dia e botarem ovos o dia inteiro. Não tem bicho que aguenta!”

E é verdade. É muita sacangem! Não serei hipócrita ao ponto de levantar bandeiras contra essas práticas, pois eu como carne, ovos, tomo leite, sei que eu gosto disso e não vou parar. Mas realmente, é o extremo da sacanagem. E outro pior: sei que agora assumo o perigoso posto de consumidor passivo de crueldades alheias. Não que eu não soubesse antes, mas é fácil fechar os olhos, não?

Semana e coisas a fazer

Nessa semana útil, de 11 a 15 de julho de 2011, tenho as seguintes coisas a fazer:

  • Preparar o arranjo de cordas de 5 partes de uma peça para orquestra
  • Terminar a trilha para inscrever no Game Music Brasil
  • Marcar um dermatologista para mim e uma oftalmologista para a Mari
  • Cobrar as questões de casa que estão enroladas
  • Divulgar um monte a turnê da Jennifer Magnética em SP
    • Entrar em contato com jornais, TV, mídias de internet, etc, para tanto;
  • Caminhar e/ou correr pelo menos 30 minutos por dia
  • Botar as músicas dos Gobstoppers no click para finalizar as guias
    • Instalar o Pro Tools, para tanto.

Vamos ver quantas delas eu realmente terei feito/concluído até sexta?

(Eu não apostaria em mim. Talvez só agora depois de publicar meus pensamentos abertamente.)

Imortais?

Enquanto preparava um tereré para me acompanhar nessa tarde de quinta-feira, pensei na minha atual condição e veio-me a seguinte frase:

“Ó, sofrimento de uma sonolência infindável…”

A pseudo-poesia da oração acima remeteu-me à tirinha do Dr. Gregório Barata, criação do genial casseta Reinaldo (que pode ser lida, apreciada e admirada clicando aqui – e podem clicar, não é vírus nem foto da Dilma pelada não!). E citando o célebre personagem almejante a escritor, comecei a me perguntar: por que raios os membros da Academia Brasileira de Letras se auto-denominam “Imortais”?

OK, eu poderia fazer uma pesquisa, mas isso acabaria com a graça de deixar minha fértil imaginação chegar às nuvens. Será que o fundador da ABL foi Connor MacLeod? Ou teria sido o Super Mario com a estrelinha? De qualquer maneira, o foco desviou-se e logo surgiu meu lado rabugento pensando: “Pô, que presunção do caralho! É quase como se eles estivessem afirmando que nunca serão esquecidos, quaisquer um, só por terem sidos membros da ABL”.

E aí me perguntei – ignorâncias minhas à parte e tirando o Paulo Coelho – “quem raios são os Imortais da ABL hoje? Se eu não sei nem os de hoje, que dirá os de ontem!”. Mas minha mente cruel não perdura e meu lado realista me fez ver a inveja embutida nesses pensamentos. Caramba! Dane-se a presunção deles! Se eu fosse um pouco mais presunçoso comigo mesmo, estaria agora trabalhando, acreditando no que faço e em vias de me tornar, de certa maneira, imortal também.